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Recuperação judicial cresce entre micro e pequenas empresas e muda perfil das companhias em crise

05/08/2026

Recuperação judicial cresce entre micro e pequenas empresas e muda perfil das companhias em crise

A recuperação judicial deixou de ser uma ferramenta associada principalmente às grandes empresas e passou a ganhar espaço entre micro, pequenas e médias empresas. Entre o primeiro trimestre de 2023 e o segundo trimestre de 2026, o número proporcional de microempresas em recuperação judicial cresceu 133%, enquanto o índice entre pequenas empresas avançou 69%, segundo levantamento do Monitor RGF BizDoc, feito com base em informações da Receita Federal.

Os dados mostram uma mudança no perfil das empresas que recorrem ao mecanismo previsto na Lei de Recuperação Judicial e Falências (Lei nº 11.101/2005) para renegociar dívidas, reorganizar a operação e tentar evitar a falência. No fim do primeiro semestre de 2026, o Brasil tinha 6.341 empresas em recuperação judicial, alta de 6,2% em relação ao segundo semestre de 2025 — embora o ritmo de expansão tenha desacelerado (a alta havia sido de 7,3% no primeiro semestre de 2025 e de 14,1% no segundo).

Micro e pequenas ampliam participação

O levantamento aponta que as empresas menores passaram a representar uma parcela maior dos pedidos de recuperação judicial. A inclusão das microempresas na base de dados da pesquisa alterou a série histórica, aumentando o volume total de empresas consideradas nessa situação.

Grandes migram para recuperação extrajudicial

O movimento entre as grandes companhias foi diferente: o índice de recuperação judicial entre grandes empresas caiu 13% no período, de 16,6 para 14,4 a cada mil, e entre as muito grandes recuou 16%, de 20,8 para 17,4 a cada mil. Para Cláudio Damasceno, da RGF Consultoria, algumas dessas empresas passaram a optar pela recuperação extrajudicial, considerada uma negociação mais rápida, de menor custo operacional e menor impacto de imagem.

Estoque teve queda pontual

Apesar do crescimento no acumulado, o levantamento identificou uma redução pontual em junho de 2026: o estoque chegou ao pico de 6.513 empresas em maio e caiu para 6.341 no fechamento do semestre, uma redução de 172 empresas. Segundo a RGF, o dado precisa ser analisado com cautela, pois a variação de um único mês não é suficiente para indicar mudança definitiva de tendência.

Pequenos negócios sob mais pressão

O avanço das recuperações judiciais entre as empresas menores indica maior uso do mecanismo por negócios que tradicionalmente têm menos acesso a crédito, menor capacidade de absorver oscilações econômicas e mais dificuldade para renegociar dívidas diretamente com credores. Para especialistas, o movimento reforça a necessidade de planejamento financeiro, acompanhamento do fluxo de caixa e adoção de estratégias preventivas antes que o endividamento comprometa a continuidade da operação.

Utilizada de forma adequada, a recuperação judicial permite que as empresas reorganizem suas dívidas e mantenham as atividades, preservando empregos e geração de renda.

Fonte: Com informações de Contábeis


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